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| Luiz Cláudio Melo |
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| Barra Velha: charme e aconchego. |
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A Costa dos Corais tem seus pioneiros. Gente que acreditou no potencial da região quando a atividade turística ainda era incipiente. Nada mais justo do que homenagear estes pioneiros pela importante participação no desenvolvimento do litoral norte da Alagoas. Tarefa que o Maragogi Online assume com prazer. Em prosseguimento a estas homenagens, reconhecemos a visão, o trabalho e a dedicação de Luiz Cláudio Melo, proprietário da tradicional Pousada Barra Velha e presidente da AHMAJA - Associação dos Hotéis, Pousadas e Trade Turístico do Litoral Norte do Estado de Alagoas.
Luiz Cláudio, o Lula, foi um dos primeiros a acreditar na região. Ao mesmo tempo em que inaugurava a Pousada Barra Velha, já trabalhava na consolidação do destino Maragogi, contribuindo na fundação da AHMAR - Associação do Hotéis e Pousadas de Maragogi, entidade precurssora da AHMAJA, que hoje abrange toda a região da Costa dos Corais. Aqui, ele concede entrevista exclusiva ao portal Maragogi Online.
Maragogi Online - Quando foi inaugurada a Pousada Barra Velha ?
Luiz Cláudio Melo - A Pousada abriu suas portas no dia 15 de novembro de 1990, com 04 suítes apenas. Estamos aos 19 anos com 25 unidades habitacionais, sendo 07 suítes e 18 chalés.
MOL - O que o levou a investir na região numa época em que a atividade turística ainda era incipiente?
LCM - A pontencialidade da região, pelas suas belezas naturais e a localização da Pousada às margens da rodovia e ao mesmo tempo à beira mar. Era fácil prever que daria certo.
MOL - Por que escolheu o setor de hospedagem?
LCM - Na verdade a escolha teve a ver com um projeto de vida, procurando conciliar negócio e qualidade de viver.
MOL - O que o senhor poderia definir como diferencial da Pousada Barra Velha neste hoje competitivo segmento?
LCM - Como equipamento, temos a oferecer as formas tradicionais de hospedagem que são nossas lindas e charmosas suítes . Mas tornamo-nos mais competitivos com os nossos Chalés, que oferece conforto, privacidade e versatilidade. É o conceito de sua casa de praia, sem o trabalho e as preocupações, pois tem os mesmos serviços, café da manhã e limpeza, além da segurança. Os Chalés são os preferidos.
Mas o nosso maior diferencial está no atendimento personalizado. Atualmente a maioria das Pousadas tem os mesmos equipamentos e serviços dos grandes hotéis. A diferença está na presença e atuação do(a) Pousadeiro(a).
MOL - Quais os planos para a empresa a curto e médio prazos?
LCM - O equipamento hoteleiro envelhece, por esta razão faz 5 anos que estamos refazendo toda a Pousada, reformando e atualizando os chalés e suítes. Melhorando sua decoração , equipamentos e a jardinagem. Atualizando às novas demandas do mercado, oferecendo split, wireless, cofres para notebook e opções de lazer. Na verdade, não podemos parar nunca, por esta razão reinvestimos cerca de 10% do nosso faturamento bruto todos os anos. Estamos elevando o nível de conforto, qualidade na alimentação e no atendimento. Estamos sempre investindo em divulgação e marketing. Com este planejamento, pretendemos melhorar a taxa de ocupação e rentabilidade em 50% nos próximos 03 anos. Estamos procurando o nosso oceano azul.
MOL - Além de empresário, o sr. se dedica a outras atividades, como presidir a associação do trade turístico. Como faz para conciliar estas atividades?
LCM - Atualmente além das atividades da pousada, que não são poucas, tenho trabalho de consultoria em Usinas de Açucar, e a Presidência da AHMAJA, já no quarto mandato. A conciliação está em contar com uma boa equipe na Pousada, uma parceira competente na Diretoria da AHMAJA, que é a Vergínia, além de Bruce, Mauro, Flávia e agora a Mariana. Há momentos que a demanda é tão grande, que sinto-me muito cansado. Mas amo o que faço. Muitas vezes me pergunto se vale a pena, então me lembro que me sinto feliz no trabalho associativista. Não sei se me sentiria assim se fosse só para ganhar dinheiro.
MOL - Qual a real situação de setor de serviços de hotelaria na região e o que pode ser melhorado?
LCM - Os serviços prestados pelo trade de turismo da Costa dos Corais, na sua maioria é muito bom. E isto se deve à boa mentalidade empresarial na nossa região, que busca qualidade no atendimento, do pequeno ao grande meio de hospedagem, dos receptivos desde o atendimento no aeroporto aos passeios de catamarã, buggy e restaurantes. Pode e deve ser melhorado sempre, com treinamentos e inovações.
MOL - Há alguns anos se fala na construção do aeroporto de Maragogi. Qual a real situação do projeto e qual sua opinião sobre o mesmo?
LCM - A minha opinião é a mesma do trade turístico de Maragogi e Japaratinga, que apoia e quer a vinda do aeroporto. Apesar das notícias que são divulgadas de vez em quando em jornais de Alagoas, informando que vai começar as obras, que já há recursos, etc... nós sabemos ao certo que não há nenhum projeto em tramitação na ANAC. Recebemos um ofício da ANAC-Brasília, nr 2074/2009/SIE-GDAE, de 09 de outubro, assinado pelo superintendente da Infraero Dr. Rodrigo Ferreira de Oliveira, informando que “até a presente data não existe processo em trâmite nesta agência tratando de autorização de construção do aeroporto de Maragogi, não sendo portanto de conhecimento da ANAC o prazo de implantação desse aeródromo” e mais, “ressalto que, para o início das obras, o órgão responsável deverá obrigatoriamente possuir a autorização de construção obtida junto a esta agência, como preconizado na Instrução da Aviação Civil 2328 e na lei da criação da ANAC nr 11.182, independente das outras licenças previstas nas demais esferas”. Ou seja, até então, o aeroporto é apenas uma ferramenta para uso político, desde 1998.
O projeto foi mal concebido e localizado sobre manguezais e com área de ruído nível 1 e 2 conflitando com zona urbana onde já existe escola, residências e meios de hospedagem. Isto por si só já significa uma grande dificuldade na obtenção do EIA-RIMA. Para que o aeroporto seja realmente útil ao desenvolvimento turístico da região, deverá ter capacidade de receber aeronaves de médio porte, o que só está previsto em fases finais de investimento. Isto é, poderá demorar muito ainda.
MOL - A Costa dos Corais é rica em biodivesidade, que é o seu principal atrativo. O senhor acha que o meio ambiente vem tendo o tratamento adequado?
LCM - A biodiversidade marinha e as melhores praias do Nordeste para banho, faz da Costa dos Corais um destino especial, muitas vezes comparado e denominado de Caribe brasileiro. Há um esforço de todos na preservação do meio ambiente, porém o Governo Federal poderia ser um parceiro melhor se atuasse como deveria na regularização das leis e implantação das áreas de manejo.
MOL - Maragogi é o segundo pólo de turismo de Alagoas. Já pode ser considerado um destino realmente consolidado em nível nacional / internacional?
LCM - A nível nacional podemos dizer que estamos nos consolidando, tendo em vista a nossa participação na mídia turística brasileira e o crescente aumento do fluxo de visitantes. A nível internacional, nem o Brasil é ainda um destino consolidado.
MOL - Qual a participação da iniciativa privada e dos governos estadual e municipais na divulgação da região?
LCM - Todos, o Governo Estadual, a Prefeitura de Maragogi, os grandes hotéis e principalmente a AHMAJA tem trabalhado na divulgação da região nas suas mais diversas formas. A nossa Associação está apta a receber recursos do governo federal através do seu credenciamento junto ao Sistema Nacional de Convênios(SICONV), e já teve um projeto de apoio à comercialização aprovado entre 181 outros projetos enviados de todo o Brasil, e as ações deste recurso estão todas voltadas para divulgação da Costa dos Corais. É ainda pouco, mas demonstra o empenho e competência da iniciativa privada.
MOL - Gostaria de fazer algumas considerações finais?
LCM - A escolha e classificação de Maragogi, como um dos 65 Destinos Indultores do Turismo é sem dúvida o tranpolim que faltava para entrarmos definitivamente na rota do desenvolvimento turístico de nossa região. Porém é preciso trabalho e muito trabalho para que possamos estar dentro desse trem de oportunidades promovido pelo Ministério do Turismo. Ao invés de estar esperando que façam por nós, sabemos agora que somos nós que temos que construir este destino. Por isso, convoco a todos, principalmente os gestores contemporâneos, pois o momento é este!
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Glênio Cedrim, Márcio Vasconcellos Silva
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